
|
|
Lista
de Informes - atras
II. Revisão Bibliográfica
El Niño Oscilação Sul (ENOS)
O ENOS é constituído por um fenômeno de natureza oceânica, o El Niño, e outro
de natureza atmosférica, a Oscilação do Sul (CUNHA, 1997). Caracteriza-se pelo aquecimento
anômalo das águas superficiais do Pacífico Equatorial Oriental, onde ocorre aumento dos fluxos
de calor sensível e de vapor d'água da superfície do oceano para a atmosfera, sobre águas
quentes, provocando mudanças na circulação atmosférica e na precipitação
em escala regional e global, que, por sua vez, provocam mudanças nas condições meteorológicas
e climáticas em várias partes do mundo (CPTEC-INPE, 2001).
Na FIGURA 1 pode-se observar os efeitos de ENOS na América do Sul:
FIGURA 1. Efeitos do fenômeno ENOS na América
do Sul.
FONTE: CPTEC-INPE (2001).
No Nordeste do Brasil, a influência tanto dos sistemas climáticos, como dos fenômenos atmosféricos,
acontece de maneira clara com relação a precipitação. Essa influência ocorreu
nos anos 1997/1998, inibindo a formação de nuvens e a precipitação no Estado da Paraíba,
quando o ENOS estava bem caracterizado (MELO, et al., 1998). Observando-se a ocorrência de nove episódios
de El Niño, nos últimos 50 anos, as anomalias da precipitação na Região Nordeste
foram em geral negativas nos meses da estação chuvosa (fevereiro a maio) do segundo ano da duração
do episódio, sendo esse resultado significativo (CPTEC-INPE, 1998).
Os eventos ENOS de maior repercussão econômica e política nas economias nacionais e regionais
e nos centros urbanos da América Latina foram os ocorridos entre 1982/83 e 1997/98; causando enormes prejuízos
as atividades humanas (SATO & MASKREY, 1998). A ocorrência desse fenômeno está diretamente
associada ao aumento das estiagens na Baixada de Sousa - PB.
Nessa região está sendo construída uma das maiores obras de irrigação do Nordeste,
com 19,2 mil ha, no intuito de favorecer a produção de frutas tropicais para mercados consumidores
da Ásia, Europa e Estados Unidos. Estima-se a geração de cerca de 18 mil empregos diretos
e indiretos (Jornal do Comércio, 1998). Durante o período de 1996 a 2000, a população
rural do município de Sousa teve um aumento 7%.
Vulnerabilidades e Desastres
As maneiras de se enfrentar as secas estão relacionadas com as condições sociais, econômicas,
culturais, geofísicas e meteorológicas de cada região afetada. Os fenômenos sócio-econômicos
e culturais influenciam profundamente a intensidade e magnitude do impacto das secas, assim como a capacidade de
recuperação das populações atingidas (EMDAD HAQUE & BRANCO, 1998).
BRASIL (1997) observou em dados da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), que para evitar
o deslocamento em massa da população, durante as secas de 1979 a 1983, foi necessária a criação,
por meio de frentes de trabalhos , de cerca de 500 mil empregos em 1979 (8,9% da População Economicamente
Ativa-PEA agrícola); 720 mil em 1980 (12,9% da PEA agrícola); 1,2 milhão em 1981 (21,9% da
PEA agrícola); 747 mil em 1982 (13,3% da PEA agrícola) e 3,1 milhões em 1983 (cerca de 55%
da PEA agrícola) .
A natureza e a magnitude dos desastres causados pelas secas no Nordeste brasileiro são resultados da combinação
entre a ausência e ou a irregularidade das chuvas com a falta de organização da produção
agrícola (ANDRADE, 1985). BLAIKIE et al. (1994) afirmam que o impacto do desastre devido a seca só
pode ser compreendido dentro de um contexto mais amplo da sociedade e de seus processos associados. Onde as vulnerabilidades
das pessoas frente as secas ou outras ameaças ambientais, está intimamente relacionada com as características
dos membros da sociedade, em termos de sua capacidade para prever, enfrentar, resistir e se recuperar do impacto.
A variabilidade climática não prevista pode ser considerada a principal causa de risco para se produzir,
entendendo a existência de risco quando se conhece as probabilidades de acontecerem resultados esperados,
sendo necessário o gerenciamento desses riscos por todos os comprometidos com o sucesso dos empreendimentos
agropecuários (CUNHA, 1997).
Devido ao déficit de água no solo, a agricultura de sequeiro nas regiões semi-áridas
é susceptível a ausência de chuvas. Na FIGURA 2 observa-se a relação existente
entre produtividade de arroz, feijão e milho e a precipitação no Estado do Ceará:
FIGURA 2. Relação das produtividades de arroz,
feijão e milho com a precipitação no Estado do Ceará, no período de 1983 a 1995.
|